Arquivo para Janeiro, 2008

Quem

Janeiro 31, 2008

Quem sou eu?

Quem pode dizer quem sou eu?
Eu não me sinto apto a isso. Sinto que se o faço ou eu me exalto além da realidade, ou me desprezo além do necessário.

Um amontoado de informações não formam uma identidade. Formam um documento sim, mas não falam nada sobre mim. Não exprimem a realidade sobre a minha pessoa.

Quem é esse?

Talvez os mais indicados a responderem essa questão são aqueles ao nosso redor. Pessoas de todas as épocas da nossa vida, que nos conheceram na infância, que estudaram conosco durante o colegial, com quem dividimos um escritório, um quarto, uma vida. Aquele que se sentou na carteira ao lado durante aquele teste de física, português, sociologia ou o que for. Amigos de faculdade e até desconhecidos que vemos todos os dias no ônibus ou metrô. Eles poderão dizer quem sou eu.

Provavelmente não será a descrição mais exata, mas certamente será a mais rica, a mais facetada. Assim como você. Essa sim, será a mais fidedigna. Por que no final, não passamos da impressão que deixamos nas outras pessoas…

Mas quem sou eu afinal?

Eu sou aquilo que vivi. Sou um pouco daqueles que conheci. Uma mistura da minha realidade com a fantasia dos outros. Ou seria da minha fantasia com a realidade dos outros?

Eu não sou mais quem eu era ontem.
Eu mudo todo dia, mas ainda assim permaneço essencialmente o mesmo.

Esse talvez seja o meu maior defeito. Não importa o quanto eu mude, eu sempre vou continuar sendo eu mesmo.
Quem sabe essa não é também a minha maior qualidade?

Mas se eu fosse outro, você seria diferente?

Pra quê?

Janeiro 29, 2008

Pra quê pensar no amanhã
se o hoje ainda não acabou?

Pra quê falar do que não foi
se o que é ainda pode mudar?

Pra quê chorar pelo que não se tem
se tudo o que se precisa está sempre ao seu redor?

Pra quê querer crescer
se a velhice vai ser nostálgica?

Pra quê apressar as coisas na vida
se no final a única certeza é a morte?

Enganoso

Janeiro 27, 2008

Quem você acha que é?
Em quem você pensa que manda?

Você é cego, surdo e burro! Não vê a verdade a um palmo do seu nariz, não dá ouvidos à razão e ainda esquece-se de tudo o que já aprendeu no passado!

Se ninguém o faz, eu farei! Eu me levantarei contra você! Lutarei contra suas vaidades. Dominarei seus devaneios e não permitirei que nem eu e nem ninguém mais caia nas suas armadilhas.

Aahh suas doces armadilhas… tão deliciosamente enganosas…

Cheio

Janeiro 25, 2008

Eu vivo enchendo.

Encho minha cabeça, encho o meu dia, encho o meu tempo, encho minha vida.

Encho com tudo que encontro. Encho até de coisas vazias…

E agora que o saco tá cheio, eu faço o quê?

Drama, drama, drama…

Flagelo

Janeiro 24, 2008

Algum dia hei de descobrir o motivo por trás disso.
Toda essa flagelação, esse gosto pela auto-destruição.
Essa satisfação que tiro do meu próprio sofrimento.
Pareço buscar a minha decepção.

Me decepciono comigo mesmo, me decepciono com os outros
Espero o que não posso receber, prometo o que não posso dar.
Me entrego de coração à decepção, aguardando o meu fim.

Se um ou vários, não sei. Mas um dia hei de entendê-los.

Enquanto não descubro, continuo me tratando com palavras ásperas as quais não ousaria proferir contra ninguém mais.
Não, essas palavras eu reservo para os momentos de solidão.
Essas eu reservo para este que tanto hesito em aceitar.

Quanta hipocrisia…