Quem sou eu?
Quem pode dizer quem sou eu?
Eu não me sinto apto a isso. Sinto que se o faço ou eu me exalto além da realidade, ou me desprezo além do necessário.
Um amontoado de informações não formam uma identidade. Formam um documento sim, mas não falam nada sobre mim. Não exprimem a realidade sobre a minha pessoa.
Quem é esse?
Talvez os mais indicados a responderem essa questão são aqueles ao nosso redor. Pessoas de todas as épocas da nossa vida, que nos conheceram na infância, que estudaram conosco durante o colegial, com quem dividimos um escritório, um quarto, uma vida. Aquele que se sentou na carteira ao lado durante aquele teste de física, português, sociologia ou o que for. Amigos de faculdade e até desconhecidos que vemos todos os dias no ônibus ou metrô. Eles poderão dizer quem sou eu.
Provavelmente não será a descrição mais exata, mas certamente será a mais rica, a mais facetada. Assim como você. Essa sim, será a mais fidedigna. Por que no final, não passamos da impressão que deixamos nas outras pessoas…
Mas quem sou eu afinal?
Eu sou aquilo que vivi. Sou um pouco daqueles que conheci. Uma mistura da minha realidade com a fantasia dos outros. Ou seria da minha fantasia com a realidade dos outros?
Eu não sou mais quem eu era ontem.
Eu mudo todo dia, mas ainda assim permaneço essencialmente o mesmo.
Esse talvez seja o meu maior defeito. Não importa o quanto eu mude, eu sempre vou continuar sendo eu mesmo.
Quem sabe essa não é também a minha maior qualidade?
Mas se eu fosse outro, você seria diferente?